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#Notícias | 01/05/2022


Ana Matielo apresenta pesquisa de ritmos do Sul no Chapéu Acústico da BPE

A Biblioteca Pública do Estado (BPE), instituição da Secretaria da Cultura (Sedac), apresenta o show “Rama: o silêncio pede milonga”, com Ana Matielo, Clarissa Ferreira e Dy Ferranddis, no projeto Chapéu Acústico. O evento, com curadoria de Rosane Lopes, será dia 3 de maio, às 19h, no Salão Mourisco da BPE (Rua Riachuelo,1190). A entrada é franca, com contribuição espontânea às artistas.

A Cacica Kerexu Takuá fará uma participação especial explicando um pouco da cultura e da identidade indígenas e de sua relação com a periferia urbana.

Também será oferecida ao público, das 15h às 20h, a exposição “Feira de Arte Ancestral Indígena Guarani”, com venda de artigos da loja @artescobracoral – um espaço físico de visibilidade dessa arte. Serão expostos artigos de cestaria, acessórios e esculturas de animais esculpidas em madeira.

 

Sobre o show Rama

“Rama: o silêncio pede milonga” é um diálogo com territorialidades corpóreas e com o pertencimento à pampa gaúcha narrado em músicas autorais. 

A partir de pesquisa artística feminista e do estilo gaúcho na música brasileira, a narrativa apresenta uma busca por novas maneiras de pertencer às identidades do Sul pela perspectiva da mulher, que traduz sua corporeidade e ancestralidade em milongas, zambas, chacareras e ritmos híbridos.  

Assim, Ana Matielo, Clarissa Ferreira e Dy Ferranddis tecem histórias em vozes, violão, violino, contrabaixo acústico e bombo leguero.

A apresentação conta com a participação especial da Cacica Kerexu Takuá, que falará sobre memória e ancestralidade do povo Guarani, em uma ação conjunta com o Centro de Referência Indígena-Afro do Rio Grande do Sul (CRIA-RS), que estará na Biblioteca no dia do show fazendo exposição e venda de arte ancestral indígena deste território com a loja @artescobracoral.

 

Chapéu Acústico

Com produção de Marcos Monteiro, o projeto acontece desde 29 de setembro de 2016, na BPE, e já contou com mais de 150 apresentações, com artistas locais e estrangeiros, nos gêneros jazz, música popular, bossa nova e choro, trazendo novidades e músicos consagrados.

O evento tem entrada livre, mediante contribuição espontânea. Informações podem ser obtidas pelo telefone (51) 3224-5045 ou pelo e-mail bibliotecapublicadors@gmail.com. 

O número de vagas é limitado.

A curadoria de artistas mulheres é de Rosane Lopes, com o objetivo de dar protagonismo e apresentar novos talentos à cena cultural.

 

Sobre as participantes do evento

 

Ana Matielo

Ana é compositora, cantora, violonista e mestranda em Etnomusicologia. Natural de Porto Alegre, graduou-se em Música Popular na UFRGS. Iniciou seus estudos em música em casa, com o pai, que compõe música tradicional gaúcha. Estudou canto lírico e participou dos grupos corais Expresso 25 (2012 -2016) e Grupo UPA! (2016 -2019). Na universidade encontrou paixão em se dedicar à composição musical e estudos feministas, narrando sua corporeidade em música e pesquisa. Seu primeiro EP autoral, Clara (2021) traz ritmos tradicionais do Brasil abordando feminismos, ancestralidade e vivências cotidianas. Ana integra o Conjunto de Folclore Internacional “Os Gaúchos” desde 2019. Sua sonoridade tem influência da música coral e linguagens pampeanas. 

Instagram: @_anamatielo

 

Clarissa Ferreira

Violinista, etnomusicóloga, pesquisadora, educadora, produtora, diretora musical e compositora do Rio Grande do Sul. Alia seu trabalho autoral com pesquisa abordando questões que repensam o regionalismo gaúcho nos espaços sociais e na geografia local, desenvolvendo-o a partir da apropriação e investigação dos elementos simbólicos e códigos sonoros ligados ao regionalismo gaúcho. A ameaça das mineradoras ao ecossistema do RS, a degradação da pampa pelas monoculturas, a modificação genética da natureza e o machismo na cultura popular gaúcha são alguns dos temas presentes nas letras das canções, definidas como realismo regionalista ou música pós gaúcha. Possui quatro singles lançados, e em 2021 vem produzindo seu primeiro álbum autoral que se chamará LaVaca, que está em campanha de financiamento coletivo (apoia.se/LaVaca). Criadora do blog e podcast @GauchismoLíquido, da escola online @OficinadeCompositoras , e integrante do grupo @AsTubas.

Instagram: @clarisssaferreira

 

Dy Ferranddis

Dy Ferranddis é mulher, baixista e pesquisadora. Começou seus estudos em contrabaixo acústico aos 14 anos e em 2019. Ingressou no curso de  Música Popular  na UFRGS e  no Grupo de Pesquisa em Estudos de Gênero, Corpo e Música – Sônicas, onde atua desde então como bolsista de Iniciação Científica. Participa de coletivos de mulheres, como o bloco de carnaval Não Mexe Comigo que eu não ando Só e acompanha como baixista os músicos independentes Jalile, Natê, Ana Matielo e Pedro Cassel. É também integrante da banda/coletivo Groove das Gu, atuando como baixista,  produtora e idealizadora. Já participou de shows e eventos em lugares como Bar Opinião, Auditório Araújo Vianna, Teatro do Bourbon Country, além de bares, pubs e restaurantes de Porto Alegre e região metropolitana e também cidades do interior e serra gaúcha. Traz em seu fazer artístico a união de seus estudos e pesquisas como mulher instrumentista, além de vivências que carrega, se expressando nos dois contrabaixos e colocando neles o vibrar de seus graves internos.

Instagram: @dyferranddis

 

Kerexu Takuá

Kerexu Takuá é mãe de três filhos, avó de dois netos, militante de movimentos sociais de luta por moradia, direitos humanos e das mulheres desde seus 14 anos. É Cacica escolhida por seus parentes, mulher indígena guarani periférica urbana. É fundadora do Centro de Referência Indígena Afro do RS (@indigenaafrodors) e da Rede Indígena de Porto Alegre (@redeindigenapoa), e constrói com lideranças de todo país um movimento de indígenas em contexto urbano, lutando pelo reconhecimento de povos indígenas como detentores da biodiversidade e de saberes ancestrais, retomando corpo território, ancestralidade e memória.

 

FEIRA DE ARTE ANCESTRAL INDÍGENA GUARANI

CENTRO DE REFERÊNCIA INDÍGENA-AFRO DO RIO GRANDE DO SUL

Reconhecido por lideranças indígenas de diferentes lugares do Brasil como um território de retomada da ancestralidade, sendo lugar de referência especialmente para mulheres indígenas em contextos urbanos. O Centro de Referência Indígena-afro do Rio Grande do Sul foi fundado em 21 de julho de 2019, pela Cacica Kerexú Takuá, estando localizado no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre/RS. O CRIA é um lugar de cruzamentos significativos de caminhos indígenas que percorrem a América Latina, acolhendo percursos originários vindos de diferentes lugares, da periferia de Porto Alegre, do Amazonas e até mesmo da Venezuela. Especialmente no que diz respeito ao povo Guarani-Mbyá, que acolhe e atualiza o parentesco de Kerexu Takuá com seus ancestrais, o CRIA acolhe mulheres que transitam entre as aldeias e o centro urbano, vendendo artesanato, atividade fundamental para o equilíbrio material e cosmológico de suas comunidades. Inscritas na prática tradicional chamada poraró (“estender a mão”), a venda de artesanato e a espera da doação de “algum troquinho” são reconhecidas pela municipalidade de Porto Alegre, através do Decreto nº 17.581/2011, enquanto “expressões legítimas da cultura indígena”, junto com as apresentações de grupos musicais Guarani-Mbyá, todas praticadas em espaços públicos da cidade. Por todas essas implicações, o CRIA inscreve-se no modo de vida “caminhante” dos Guaraní, mais especificamente, nas trilhas ancestrais e contemporâneas deste povo, que tem seus caminhos e o trânsito entre territórios tradicionais reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro (2014) e Patrimônio Cultural do Mercosul (2015). O reconhecimento se deu através de uma demanda dos Guarani-Mbyá para a realização de um Inventário Nacional de Referências Culturais da “Tava, lugar de referência para o povo Guaraní” (IPHAN, 2019). O Centro de Referência pode ser, portanto, inscrito entre os lugares que acolhem o trânsito entre aldeias e cidade, entre indígenas urbanos e aldeados, contribuindo para que o caminhar Guarani mantenha seus percursos ancestrais da luta indígena pelo direito de existir segundo seus modos de viver.
@indigenaafrodors

 

Artes Cobra Coral

A loja Artes Cobra Coral é o espaço onde a arte ancestral resiste em meio ao concreto. É arte milenar Guarani Mbyá passada de geração em geração. Onde estiver um indígena Guarani, a arte ancestral estará junto. A loja é o espaço físico de visibilidade dessa arte, sendo também movimento de retomada de território indígena, pois foi a cidade que invadiu a aldeia. A ocupação dos espaços urbanos e a difusão de arte ancestral movimenta-se na retomada desse território físico e do direito de (re)existir. Quando você adquire uma arte da Cobra Coral estará levando consigo essa memória, ancestralidade e resistência.

@artescobracoral

 

SERVIÇO 1 

O Quê: Chapéu Acústico com o show “Rama: o silêncio pede milonga”, de Ana Matielo e presença da Cacica Terexu Takuá 

Quando: Dia 3 de maio, às 19h 

Onde: Salão Mourisco da Biblioteca Pública do Estado (Rua Riachuelo, 1190, Porto Alegre, RS)

*Entrada livre, mediante contribuição espontânea.

O número de vagas é limitado.

Informações: (51) 3224-5045 / e-mail bibliotecapublicadors@gmail.com

 

SERVIÇO 2

O Quê: FEIRA DE ARTE ANCESTRAL INDÍGENA GUARANI: Exposição e venda de artigos indígenas @artescobracoral

Quando: Dia 3 de maio, das 15h às 20h 

Onde: Sala de exposições BPE (Rua Riachuelo, 1190, Porto Alegre, RS)

 

Contatos:

Cláudia Antunes (Assessoria de Imprensa da BPE) – bpe.imprensa@gmail.com

Marcos Monteiro (Produtor Cultural) – 519935-0608 / marcosmonteiroprojetos@gmail.com 

 

Produção

Marcos Monteiro

 

Apoio

Café com Panc (Rua Riachuelo 996, no Centro Histórico de Porto Alegre,RS)

 

Realização

Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul

Secretaria de Estado da Cultura