Criada pela Lei n° 724 de 14 de abril de 1871, a instituição cultural ganhou importância tanto pelo seu acervo valioso quanto pelo seu prédio – uma das mais belas edificações do Rio Grande do Sul – tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Estadual e Nacional. Mantêm acervo diversificado e serviços de acesso a materiais impressos, e digitais, bem como acervo em Braile e em áudio.

A Biblioteca possui uma coleção de 250.000 volumes que representam o mais importante conjunto bibliográfico de salvaguarda da memória sul-rio-grandense e de imensurável representatividade junto à memória nacional, pela exclusividade dos títulos de monografias desde o século XVI e periódicos gaúchos do século XIX, dentre outros.

Instalada desde 1912 na Praça da Matriz, onde se localiza o sítio histórico reconhecido como centro representativo da vida do Estado, a Biblioteca coloca-se para todo o país e até para o mundo como a referência mais importante da historiografia e da cultura gaúchas dos séculos XIX e XX. Estão sob a guarda da Biblioteca Pública os relatórios de governo a partir de 1860, Anais da Província de São Pedro, mensagens dos governadores à assembleia, entre outros documentos.

A Coleção de Obras Raras da Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul é composta por raridades dos séculos XVI a XIX, como a Pharsalia, de Lucanus, de 1519, e edições primorosas de La Divina Comedia, de Dante Alighieri, editada em 1921 por Conrado Ricci, em edição restrita a mil exemplares, e de Os Lusíadas, de Camões, na edição comemorativa de 1819, que tem alto valor por sua reduzida edição de doze exemplares em pergaminho, entre outras obras.

No século XIX e primeiras décadas do século XX o Rio Grande do Sul sofreu forte influência do pensamento de Augusto Comte — o fundador do Positivismo na França — e que tem no Rio Grande do Sul inúmeros seguidores. Um dos mais expressivos, Júlio de Castilhos caracterizou seu governo por imprimir à Constituição do Estado uma linha de orientação positivista. Uma ideologia progressista e ao mesmo tempo autoritária pautou o estilo de sua gestão, definindo os rumos do Partido Republicano no sul do Brasil. Borges de Medeiros deu continuidade à obra política e administrativa do Castilhismo.

Em 1915, já autônoma, a Biblioteca foi transferida para a sede atual na rua Riachuelo, esquina General Câmara (antigamente conhecidas como rua do Cotovelo e Rua do Ouvidor). Construído por sugestão de Victor Silva, o prédio da Biblioteca foi projetado por engenheiros das Obras Públicas do Estado (Afffonso Hebert e Teófilo Borges de Barros). Tanto na sua fachada como em seu interior, apresenta influência da doutrina positivista, utilizando vários estilos em sua representação. A fachada apresenta o estilo neoclássico, contornada com bustos do calendário positivista vindos da França, tais como Júlio César, Gutemberg e Descartes. Nas outras salas e salões, como o Salão Egípcio, Sala Borges de Medeiros e Salão Mourisco, diversificam-se os estilos, entre eles o rococó, egípcio, gótico e florentino.

A maioria dos trabalhos foi executada por Fernando Schlater e S. Incerpi, pintores e Alfred Adlof, Eduardo de Sá e Giuseppe Gaudenzi, escultores. Mobiliário, aberturas e objetos de adorno desenhados pelos mesmos artistas e fornecidos pelas firmas Jamardo Irmãos e João Friederichs S.A.

As colunas de mármore de Carrara e seus respectivos capitéis, que compõe as portas de comunicação no prédio, foram confeccionados por João Vicente Friederichs.

É tradição oral que Victor Silva, que orientou o projeto e a decoração, teria se inspirado na Igreja de Sainte Geneviéve, em Paris, que havia sido transformada em biblioteca.

O prédio foi inaugurado como parte das comemorações do Centenário da Independência a 7 de setembro de 1922, sendo considerado espaço nobre de leitura, então privilégio de elites. O próprio Borges de Medeiros fazia suas leituras diárias de jornais na sala que tem seu nome.

Em 1986 o prédio da Biblioteca foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE), e em 2000 pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN).

Dirigentes da Biblioteca Pública ao longo de sua história

Primeira fase: a dos Bacharéis

Fausto de Freitas e Castro

1871-1878

Frederico Bier

1879

Joaquim Pedro Soares

1879 - 1882

Graciano Alves Azambuja

1882 - 1884

Joaquim Pedro Soares

1884, 1886 - 1887

Recuperação da história

Ao longo de sua história, o prédio da Biblioteca Pública passou por poucas intervenções em suas formas originais, mas uma particularmente impactou sua existência e é alvo de busca de recursos para sua recuperação: as pinturas murais da Sala de Leitura e do hall de entrada, das escadarias e algumas salas, que foram recobertas com tinta cinza na década de 1950, por ordem de um de seus diretores. Ainda por influência do Modernismo, ele acreditava que as imagens distraíam os leitores e não tinham valor histórico, devendo desaparecer.

Outro fato marcante na história da Biblioteca foi a retirada de parte do mobiliário e adornos durante o governo de Euclides Triches, na década de 70. Este fato lamentável foi precedido da vista da esposa do governador, que percorreu todas as dependências da Biblioteca acompanhada de sua secretária, que anotava todos os dados acerca do mobiliário e obras de arte. Ao final, declarando-se encantada com o que tinha visto, deixou a Biblioteca. Poucos dias depois, tudo o que havia sido anotado foi levado para o Palácio Piratini, através de uma requisição do governador, datada de 30 de junho de 1971, sob os protestos da diretora da época. O restauro total da Biblioteca é obra para muito tempo e indica o preço que a humanidade paga por atos em prejuízo à memória artística e cultural.

Em 1974 a Biblioteca passou por reformas, ficando fechada por um ano ao público. Foi realizada a pintura externa e interna, refeita a rede elétrica e hidráulica. Algumas telas de valor histórico foram restauradas.

Em 1988, o teto de uma das salas da Biblioteca desabou parcialmente, colocando em risco a vida de funcionários e leitores. Em consequência disso e pela urgência de outras reformas, durante dezoito meses o prédio ficou fechado ao público. Foi substituído o madeiramento da cobertura e o tratamento da rede pluvial. Parte do mobiliário foi restaurado, a pintura mural do teto do Salão Mourisco foi estabilizada e algumas aberturas recuperadas.

No ano de 2007, com recursos do programa Monumenta, foi executada a drenagem da calçada, resolvendo infiltrações no subsolo, modernizado o maquinário do elevador e recuperado parte dos pisos, no andar térreo.

A partir de 2009 a Biblioteca passou pela maior obra de restauro de sua história. Após muitos anos de má conservação e sem passar por grandes reformas, o que causou diversos danos ao prédio e seus bens móveis, a Biblioteca Pública iniciou em 2009 uma grande obra de restauro, através do benefício da lei Rouanet, patrocinada pelo BNDES, no montante de R$2.556.794,00.

Nessa etapa foram restaurados: fachada, calçada, pisos de parquet e entrepisos, aberturas (portas e janelas de madeira), resolvidos problemas estruturais e de umidade, refeita tubulação para rede elétrica, lógica e esperas para a instalação de ar condicionado, retirada e acondicionamento dos lustres, recuperação dos adornos de bronze das portas, estabilização da pintura mural do salão egípcio e resolvido o restante de problemas de umidade e infiltrações no telhado e subsolo.

Um projeto posterior a essa etapa foi encaminhado ao MINC e aprovado, mas devido à crise financeira que o país se encontrava na época, não conseguimos patrocinador.

Em 2015, com o patrocínio direto do SINDUSCON-RS, o prédio teve sua rede elétrica renovada parcialmente. Através de sua Associação de Amigos, foi instalada rede wi-fi na Biblioteca e reformados os sanitários, obras que permitiram retornar o atendimento no prédio histórico, a partir do dia 18 de dezembro de 2015.

Ainda deverão ser realizadas algumas obras, para continuidade da obra de restauro e modernização iniciada em 2009, buscando recuperar, restaurar as formas originais do prédio histórico da Biblioteca Pública do RS, como: finalização da parte elétrica, acessibilidade, climatização, restauro do mobiliário, pinturas murais, adornos, escadarias e colunas de mármore, instalação de sistemas de segurança para o prédio e acervo.

Quando completo o restauro do prédio histórico, nele deverá ficar apenas os setores de obras raras, acervo antigo e o setor sobre o Rio Grande do Sul. Os demais espaços serão ocupados com atividades culturais: recitais, saraus, exposições, palestras. Será um centro cultural, uma espécie de biblioteca-museu, com forte potencial turístico, onde também será preservada a história de nosso Estado.

Num futuro próximo, outro prédio, amplo e moderno ainda a ser construído, abrigará o restante dos setores de atendimento ao público e a ampliação do acervo e serviços.